Entrevistas 2019: Margarida Rebelo Pinto

Marguerida Rebelo Pinto - escritora portuguesa
Margarida Rebelo Pinto – escritora portuguesa

Margarida Rebelo Pinto, escritora portuguesa, publicou o seu primeiro livro, com o título Sei Lá, em 1999. Este foi um dos maiores sucessos em Portugal, atingindo números de vendas pouco usuais para o país. 

Com os seus títulos seguintes alcançou um êxito semelhante. Desde então, tem construído uma sólida carreira como escritora e a sua obra, publicada em Portugal e no estrangeiro, já vendeu mais de 1 milhão de exemplares. Esta entrevista foi motivada precisamente pelo facto de este ano a obra Sei Lá celebrar 20 anos. 

Fernanda: Quando e como surgiu a escrita na sua vida?

Margarida Rebelo Pinto: Muito cedo, talvez aos 12, 13 anos. Estive bastante limitada de movimentos entre os 8 e os 12 anos em consequência de uma febre reumática e acredito que esse período de inatividade física ajudou a desenvolver o meu mundo interior. Com 13 anos já participava em concursos literários. Lia muito desde criança e isso também foi fundamental para desenvolver a minha paixão pela escrita.

Fernanda: Em 1999, publicou o livro Sei Lá, que causou enorme furor no Portugal de então. O que a inspirou a escrevê-lo?

Margarida Rebelo Pinto: A vida como ela é. Aquilo que Waldo Emmerson proclamava, retratar o quotidiano porque é nele que vivemos. Os autores americanos sempre me fascinaram por terem essa leitura do mundo, Steinbeck, Rayomond Carver, Bukowiski estavam sempre na minha mesa de cabeceira. O Sei Lá era isso mesmo, o retrato de uma geração, de uma cidade, Lisboa a acordar para o mundo com mulheres independentes à procura de uma relação que as completasse.

Fernanda: Há 20 anos foi acusada de escrever uma literatura light, com conteúdos fúteis e vazios. Como reagiu na época e o que pensa atualmente?

Margarida Rebelo Pinto: Nunca fui acusada de nada, porque uma acusação requer um crime e não me consta que pôr um país a ler seja passível de punição em nenhum manual de direito. O que a minha literatura fez foi abanar o sistema, o staus quo, que ditava que a literatura era território dos intelectuais. Não é. A literatura é para toda a gente. Se não fosse mulher, as críticas não teriam sido tão acesas. Portugal era e continua a ser um pais de machistas. Felizmente, nem todos são misóginos.

Fernanda: Considera que, no século XXI, o mundo dos livros ainda é muito machista?

Margarida Rebelo Pinto: Infelizmente cada vez mais…

Fernanda: Por que razão defende que o tempo é o grande juiz de um escritor?

Margarida Rebelo Pinto: Parece-me óbvio. O trabalho de um escritor deve ser visto como um todo, em função da sua obra. Um livro não faz um escritor, uma vida dedicada à literatura, sim.

Fernanda: Existe algum livro novo na forja? 

Margarida Rebelo Pinto: Chegou dia 13 de novembro às livrarias A Desordem Natural das Coisas, mais um romance, o décimo sétimo que vai ao fundo da paixão, do medo e do desejo. Conta a história de uma mulher entre um amor infeliz e a perspetiva de uma relação futura, mais completa e, por isso, mais satisfatória.

Fernanda: Que livro lhe falta escrever?

Margarida Rebelo Pinto: Tantos, que nem sei dizer.

Livro Sei Lá - Margarida Rebelo Pinto - FNAC
Livro Sei Lá – Margarida Rebelo Pinto – FNAC

Fernanda: Que livros e escritores a influenciaram mais na sua escrita?

Margarida Rebelo Pinto: Tantos… A Sophia de Mello Breyner, o Camilo Castelo Branco, o Eça de Queirós, a Agustina Bessa-Luís, os americanos que citei em cima, Balzac, Dostoiévski, Tolstoi, Murakami, Ortega Y Gasset, Isabel Allende, Gabriel García Márquez, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e Nelson Rodrigues, António Lobo Antunes, poetas como Fernando Pessoa e o seu heterónimo Alberto Caeiro, Florbela Espanca, o poeta sevilhano António Machado e Javier Marías. Javier Marías é a minha última paixão, sou vidrada na sua técnica narrativa.

Fernanda: Segue algum ritual específico aquando da escrita de um livro?

Margarida Rebelo Pinto: Escrevo de segunda a sexta, das 9 da manhã em diante. Para cada livro, tenho uma banda sonora. Não escrevo depois do sol se pôr e raramente escrevo ao fim de semana. Revejo sempre o manuscrito desde a primeira linha com café e chocolates por perto.

Fernanda: O que é a literatura para a escritora Margarida Rebelo Pinto?

Margarida Rebelo Pinto: É o meu princípio, o meu meio e o meu fim. É a minha forma de chegar aos outros e de me relacionar afetivamente com o mundo. Depois da família, é a minha maior paixão. Os escritores não podem morrer, porque a palavra é o domínio que temos sobre o mundo, como disse a Clarice Lispector. Viverei sempre para escrever, disso não tenho dúvidas.

Obrigada, Margarida, por esta entrevista em que se deu a conhecer como escritora e como pessoa. Da minha parte, convido os leitores a mergulharem na leitura do mais recente livro da escritora, A Desordem Natural das Coisas.

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