Museo Louvre, Paris. Fonte de imagem: Pixabay.
Museu Louvre, Paris. Fonte de imagem: Pixabay.

Visitar com frequência museus no próprio país ou no estrangeiro é, claramente, uma forma de enriquecimento cultural ao longo da vida de qualquer ser humano. Diariamente, centenas de pessoas transpõem a porta de um museu, independentemente da idade, do grau de instrução, da nacionalidade, do meio social e económico, etc. Na verdade, os museus prestam um serviço que visa abranger um público diversificado.

Mas, o que leva alguém a visitar um museu?

Ao entrar num museu, somos projetados para um universo completamente singular, de pura descoberta. Recordo-me de quando entrei, pela primeira vez, com 19 anos, no Museu do Louvre, em Paris. O sentimento de deslumbramento foi avassalador perante aquelas salas enormes, com paredes amplas cobertas de quadros magníficos e com uma dimensão que eu jamais imaginara.

Poderia permanecer ali durante dias, pois apenas umas horas não eram suficientes para absorver a grandiosidade de tudo o que me rodeava. Contudo, eu tinha um objetivo em mente. Por isso, percorri desenfreadamente as galerias em busca do quadro “Mona Lisa” de Leonardo da Vinci, tão pequeno, mas imponente, do qual a minha professora de Francês me falara há alguns anos na escola.

Naquela altura, como hoje em dia, tive de pagar um bilhete para entrar no Louvre. E é esta precisamente a questão que está na origem deste artigo. Se os museus têm um papel tão importante na formação cultural de qualquer cidadão, por que razão a entrada não é gratuita?

Dir-me-ão que existem descontos para estudantes ou grupos e que os museus precisam de uma fonte de rendimento para a sua própria manutenção. Sim, claro, mas e aquelas pessoas que não podem mesmo pagar ou aqueles que não vão porque se paga? De que adianta um museu disponibilizar uma coleção magnífica e informação em diversas línguas quando, por vezes, os próprios habitantes locais não conseguem ter acesso ao seu interior e a toda a riqueza cultural aí contida? Onde está o direito à igualdade?

Vejamos o exemplo de três museus em três países distintos.

O Metropolitan Museum of Art, fundado em 1870, na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, é um dos mais importantes museus do mundo e possui uma preciosa coleção de pintura europeia dos séculos XII-XX e obras da arte antiga e oriental. O bilhete de entrada para adulto custa 25 USD (22 EUR).

O Museu do Louvre está localizado no centro de Paris, em França. É lá que se encontram tesouros como a Mona Lisa, a Vitória de Samotrácia, a Vénus de Milo e enormes coleções de artefactos do Egito antigo e da civilização greco-romana. O bilhete de entrada para adulto custa 17 EUR.

O Museu Calouste Gulbenkian está situado em Lisboa, Portugal, e apresenta obras pertencentes a um vasto período da história da arte: arte egípcia, greco-romana, da Mesopotâmia, do Extremo Oriente, artes decorativas europeias, etc. O bilhete de entrada para adulto custa 14 EUR.

Ainda assim, os três museus mencionados recebem anualmente inúmeros visitantes.

Todavia, acredito que se a entrada fosse gratuita ou mesmo com um preço simbólico, estes museus, tal como muitos outros, permitiriam o contacto de um maior número de cidadãos com a riqueza de diversas civilizações, contribuindo para uma formação cultural mais vasta da sociedade em geral.

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